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Professor de Fortaleza entrega cartas de estudantes escritas há 20 anos – 15/12/2021 – UOL TAB

Antero Macedo, 65, passou os últimos dias organizando caixas etiquetadas com “Máquina do Tempo”. Sentado, estava à procura da carta da arquiteta Fabiana Castro, 29, entre pastas coloridas que tomavam conta da entrada da sala da diretoria do Colégio Mon
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Musée Du Louvre

Musée du Louvre.
museedulouvre #lelouvre #museu #museum #france #paris
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Allenby Road

 “ALLENBY ROAD

Ao entardecer, quando as ruas paralisadas perdem

as esperanças de ouvir soar uma ambulância, decidindo-se afinal

por chineses que passeiam a esmo, enquanto os olmos imitam o mapa

de um país vestido com roupa khaki, que embala seus inimigos,

a vida vai pouco a pouco ficando míope, remendada,

aquilina, geométrica, sem brilho

e sem detalhes – cornijas, maçanetas de porta, Cristos –

que realcem as silhuetas: chaminés, telhados, um crucifixo.

Teu gesto de fechar as persianas desencadeia a teoria

do dominó, pois não importa o tamanho do nó

que se desfaça em tua garganta, as futuras bolas de neve,

à luz da lâmpada, sempre formarão o perfil de um inevitável “não”.

Não é porque, ultimamente, os preços andem salgados,

mas ninguém ousa pegar essa bolsinha de tijolos

cheia de trocados, que mal dá para pagar uma boa noite de sono.”

(1981)

– Joseph Brodsky/Iósif Bródski (Ио́сиф Бро́дский), em “Poesia soviética”. [seleção, tradução e notas Lauro Machado Coelho]. São Paulo: Algol, 2007.

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Dune – Rotten Tomatoes

Paul Atreides, a brilliant and gifted young man born into a great destiny beyond his understanding, must travel to the most dangerous planet in the universe to ensure the future of his family and his people. As malevolent forces explode into conflict over the planet’s exclusive supply of the most precious resource in existence, only those who can conquer their own fear will survive.
— Read on www.rottentomatoes.com/m/dune_2021

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Lights And Colors

Lights and Colors.
lights #colors #flowers #plants #trees #portoalegre
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Odisseu A Telêmaco

 “ODISSEU A TELÊMACO

Caro Telêmaco,

                            encerrou-se a Guerra

de Tróia. Quem venceu, não lembro. Gregos,

sem dúvida: só gregos deixariam

tantos defuntos longe de seu lar.

Mesmo assim, o caminho para casa

mostrou-se demasiado longo, como

se Posseidon, enquanto ali perdíamos

nosso tempo, tivesse ampliado o espaço.

Não sei nem onde estou nem o que tenho

diante de mim, que suja ilhota é esta,

que moitas, casas, porcos a grunhir,

jardins abandonados, que rainha,

capim, raízes, pedras. Meu Telêmaco,

as ilhas todas se parecem quando

já se viaja há tanto tempo, o cérebro

confunde-se contando as ondas, o olho

chora entulhado de horizonte e a carne

das águas nos entope enfim o ouvido.

Não lembro como terminou a guerra

e quantos anos tens, tampouco lembro.

Cresce, Telêmaco meu filho, os deuses,

só eles sabem se nos reveremos.

Não és mais o garoto em frente a quem

contive touros bravos. Viveríamos

juntos os dois, não fosse Palamedes,

que estava, talvez, certo, pois, sem mim,

podes, liberto das paixões de Édipo,

ter sonhos, meu Telêmaco, impolutos.”

(1972)

– Joseph Brodsky (Ио́сиф Бро́дский), no livro “Quase uma elegia”. [tradução de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher; Introdução e textos complementares de Nelson Ascher]. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1995.

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Um Homem E A Sua Vida

 Um Homem e a Sua Vida

Um homem não tem tempo na sua vida
para ter tempo para tudo.
Não tem momentos que cheguem para ter
momentos para todos os propósitos. Eclesiastes
está enganado acerca disto.

Um homem precisa de amar e odiar no mesmo instante,
de rir e chorar com os mesmos olhos,
com as mesmas mãos atirar e juntar pedras,
de fazer amor durante a guerra e guerra durante o amor.
E de odiar e perdoar e lembrar e esquecer,
de planear e confundir, de comer e digerir
que história
leva anos e anos a fazer.

Um homem não tem tempo.
Quando perde procura, quando encontra
esquece, quando esquece ama, quando ama
começa a esquecer.

E a sua alma é erudita, a sua alma
é profissional.
Só o seu corpo permanece sempre
um amador. Tenta e falha,
fica confuso, não aprende nada,
embriagado e cego nos seus prazeres
e nas suas mágoas.

Morrerá como um figo morre no Outono,
Enrugado e cheio de si e doce,
as folhas secando no chão,
os ramos nus apontando para o lugar
onde há tempo para tudo.

Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita.

(Tradução de Shlomit Keren Stein e Nuno Guerreiro)

Fonte: http://ruadajudiaria.com .

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Os Verdadeiros Burros E Os Falsos Loucos

Os Verdadeiros Burros e os Falsos Loucos

O mais esperto dos homens é aquele que, pelo menos no meu parecer, espontâneamente, uma vez por mês, no mínimo, se chama a si mesmo asno…, coisa que hoje em dia constitui uma raridade inaudita. Outrora dizia-se do burro, pelo menos uma vez por ano, que ele o era, de facto; mas hoje… nada disso. E a tal ponto tudo hoje está mudado que, valha-me Deus!, não há maneira certa de distinguirmos o homem de talento do imbecil. Coisa que, naturalmente, obedece a um propósito.

Acabo de me lembrar, a propósito, de uma anedota espanhola. Coisa de dois séculos e meio passados dizia-se em Espanha, quando os Franceses construíram o primeiro manicómio: «Fecharam num lugar à parte todos os seus doidos para nos fazerem acreditar que têm juízo». Os Espanhóis têm razão: quando fechamos os outros num manicómio, pretendemos demonstrar que estamos em nosso perfeito juízo. «X endoideceu…; portanto nós temos o nosso juízo no seu lugar». Não; há tempos já que a conclusão não é lícita.

Fiodor Dostoievski, in “Diário de um Escritor”

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Two Poems By Peretz Markish

 “TWO POEMS BY PERETZ MARKISH

translated by Amelia Glaser

— — —

Hey, what do you deal in – sorrow?
What are you selling there – despair?
I’m a buyer and a dealer,
and I’m dealing and I’m wheeling
days and nights, and even moments:
on a scale of joy I weigh them,
buy them up and then resell them,
half are black
and half in blazes,
at fairs, in markets, and on highways
who should happen in my pathway,
in whoever’s path I happen
I count Mammon!…

I’m a buyer and a dealer
and I’m dealing and I’m wheeling…

What are you selling – corpses? Rags?
Or long-since-departed dads?
Hey, a buyer’s slipped a way,
he’s dying but will be reborn.

— 1917

— — —

With lips pressed one to the other,
and eyes,
laden to their brows, silent,
and wooden bellies bound round
by rusty
iron belts,
gray rows of shops drag
across the Saturday-market gray,
like blind men, tightly clinging one to the other…

In the middle of the market
stands an overloaded wagon,
under the wagon a tall Gentile is stretched out
like a slaughtered corpse, snoring, ruminating, he gnashes and spits.
The horses chew, heads turned toward the wagon,
tails left dangling into infinity…

— 1919″

Peretz Markish (1895 – 1952) was an avant-garde Soviet Yiddish poet who eventually turned to Stalinism, then was arrested and killed along with the other top Soviet Yiddish writers in Lubyanka prison, the “Night of the Murdered Poets,” less than a year before Stalin’s own death.

Amelia Glaser is an Assistant Professor of Russian Literature at the University of California, San Diego. She translates poetry from Yiddish and Russian, and has translated and coedited (with David Weintraub) a collection of leftist Yiddish poems, Proletpen, America’s Rebel Yiddish Poets (University of Wisconsin Press, 2005).

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